segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O diário de Samanta

Querido diário, faz um tempinho que não escrevo, não é!? Andei meio ocupada. E hoje não estou nada bem. Tive uma briga com a Cá. E desde já, vou avisando que a culpa não foi minha. Bem, tudo começou com um scrap que deixaram no meu orkut. Era de um rapaz que eu havia add e eu nem sei quem é esse ser. Mas enfim, ele deixou esse scrap que dizia mais ou menos isso: “oi, loirassa”, desse jeito, com dois “s”... uó. Aliás, foram vários, e isso me irritou. Afinal eu sou ruivíssima e na foto do perfil e nas do álbum isso estava mais do que claro. Fui na página dele e deixei um scrap mais ou menos assim: “oi, e eu sou ruiva”. Curta e grossa. Mesmo assim, no dia seguinte ele ainda insistia em me chamar de “loirassa” (nem teve coragem de olhar no dicionário). Me estressou. Depois daquilo, resolvi dar um jeito na situação. Fiz o que nunca tinha feito antes: pintei o cabelo de loiro. Tirei uma foto, coloquei no perfil e também pendurei no meu mural (lindo, ai ai). Mesmo assim, a história se repetiu, só mudou o adjetivo: “oi, morenassa”. Me estressei de novo e pintei o cabelo de novo. Acontece que ele não se contentou. Novas adjetivos apareceram, novos looks também. Agora é que Cá entra na história. Contei o que estava acontecendo, ela se virou para mim e disse: “Porque não ignorou ele, afinal você nunca viu esse rapaz antes na sua vida e talvez nunca o veja”. Putz! Se ela tivesse me falado antes... depois ela não quer que eu fique zangada. Pensei que ela fosse minha amiga. Mas se fosse, meu mural não estaria parecendo um arco-íris. Acredite, até azul piscina tem ali, estou vendo daqui, e nem queira saber qual foi o adjetivo que ele usou. Hoje estou fazendo tratamento capilar. Sim, detonei meu coro cabeludo e cada fio que sai dele. Ah, recentemente ele deixou um scrap: “Oi, ruivassa”. Quero morrer!
Acabo por aqui, querido diário. Tenho que ir ao salão de beleza. Uó.
by Tais Carla B. Cassemiro

domingo, 9 de dezembro de 2007

MADA

Uma sala. Dentro dela, um grupo de 16 mulheres. Uma delas se levanta.
“Oi. Meu nome é Marta. Tenho 29 anos e sou uma mulher que ama demais. Bem, faz 4 anos que estou com meu atual marido e desde que começamos a namorar ele me bate. No começo eram tapinhas de leve, mas com o passar do tempo, esses tapas viraram socos. Só que eu nunca consegui deixá-lo porque eu o amo. Uma amiga minha disse que seria bom se eu freqüentasse esse grupo e aqui estou eu... Bem, às vezes ele não me machuca, mas outras fico realmente com algumas marcas roxas, tenho que admitir. Às vezes ele chega em casa e não fala nada, vem com tudo para cima de mim. Ele me pega de jeito e é tapa para cá... tapa para lá ... para cá... ai.. para lá... ui ...ui...bate mais.. ai... não pára...ui... cachorrão... bate, bate...”
Ela gesticulava com fervor enquanto as outras 15 mulheres a observavam, umas como se se imaginassem naquela situação, outras com repulsa.
Foi então que, depois de dar pequenos tapas no rosto como demonstração, Marta parou, olhou em volta e saiu com um sorriso radiante na cara. Nunca mais voltou.

by Tais Carla B. Cassemiro

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Lógica

São tantos os caminhos
Nessa vida não vivida
Eis que me encontro...

Perdida!

by Taís Carla B. Cassemiro

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Dia de Chuva

Estava voltando do mercado quando começou a chover de repente. Como chovia muito parei embaixo da cobertura de uma loja de sapatos. Outras pessoas fizeram o mesmo. Dentre elas um homem alto, cabelos negros e olhos verdes. Era um verdadeiro deus grego.
Vi que a chuva não iria parar tão cedo, então aproveitei para fumar. Foi aí que notei que aquele homem me olhava. Depois de alguns minutos ele se aproximou e disse pegando o maço de cigarro:
— Me empresta seu isqueiro, por favor?
Emprestei e ele começou a conversar comigo. Enquanto conversávamos a chuva foi parando. Ele já ia se despedir quando seu maço caiu no chão. Ao se abaixar para pegá-lo, o isqueiro que estava dentro do bolso do casaco também caiu. “Te peguei. Era só desculpa para conversar comigo”, pensei. Meu ego inflou naquele momento.
A chuva parou de vez e o sol já dava o ar da graça. Ele disse tchau e quando já estava há alguns passos longe olhou para mim, apertou o isqueiro e em seus lábios eu li: “Não funciona”. Realmente não funcionou.
Dei um longo suspiro, parti para minha casa e, aos poucos, começou a chover novamente.
by Tais Carla B. Cassemiro

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

untitled

Num mundo em que todos olham para o próprio umbigo,
Me pego olhando para o meu


By Taís Carla B. Cassemiro

sábado, 17 de novembro de 2007

Sonhos que acontecem

Júlio possuía um dom: tinha sonhos do que iria acontecer. Não era uma coisa que ele controlava. Simplesmente quando sonhava (não era sempre), acontecia. Muitas vezes seus amigos duvidavam, mas ele dizia: “Eu nunca erro. Nunca!”. E não errava mesmo.
Acontece que um dia sonhou que sua melhor amiga, Sara, iria morrer. Não sabia como nem a que horas exatamente, sabia apenas que dia iria ser. Ele contou para ela, mas nem ela, que já tinha visto do que Julio era capaz, acreditou. Ele insistia desesperadamente: “Acredita em mim, por favor. Você sabe que eu nunca erro. Nunca!.”
Veio o dia que era para o sonho acontecer. Veio e já estava indo embora. E nada tinha acontecido. Júlio ficou o dia inteiro com Sara. Tudo estava na perfeita ordem. Era quase meia-noite, e os dois assistiam a um filme comendo pipoca que Sara tinha preparado, e bebendo suco que Julio havia batido. De repente Sara virou para Julio e disse: “É Julio, parece que dessa vez você erro...(tosse). Olha... só (tosse) eu aqui inteiii...ri.. (tosse)... nh...”. Não conseguiu completar a frase porque afinal de contas, Júlio nunca errava.

Nunca!
by Tais Carla B. Cassemiro

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Na esquina, eis a minha sina

Duas baratas se encontraram perto da entrada de um esgoto depois de muito tempo sem se verem. Ali mesmo ficaram horas e horas conversando: os baratos que tiveram, como as coisas não são tão baratas como antigamente, graças à globalização. Enfim, coisas muito interessantes... para baratas, é claro.
Depois de muito conversarem, uma descobriu o quão depressiva a outra era.
“Vou me matar”, dizia uma.
“Não diga isso, tudo ficará melhor”, dizia a outra.
“A vida num tem sentido”, dizia repetidamente.
“Não fala uma coisas dessas”, a outra tentava acalmar a amiga.
E continuaram com aquela discussão por muito tempo: uma com idéias suicidas, a outra tentando mostrar que a vida valia a pena. Estavam tão distraídas que nem percebiam o ir e vir das pessoas.
Foi o dia, veio a noite, e ali estavam elas discutindo. Tanto foi a insistência de uma que a outra esqueceu a besteira de suicídio. Não iria mais suicidar e tinha esperanças com relação à vida. Despediu-se da outra e agradeceu pela ajuda.
E assim ela partiu para casa; realmente estava bem melhor.
Ao dobrar a esquina, sumindo da vista da outra ...

Crack!

by Tais Carla B. Cassemiro